Paróquia de Santa Luzia — Arquidiocese de Fortaleza

Paróquia de Santa Luzia — Arquidiocese de Fortaleza

Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. (Mc 16, 15)


Conversão significa produzir frutos

7 de Março de 2010

Jesus se serve de dois fatos (algumas mortes numa revolta contra os romanos e o desmoronamento de uma torre, com vítimas fatais) para proclamar a necessidade de conversão. Os que morreram nesses dois episódios trágicos não podem, segundo Jesus, ser vistos como mais pecadores que os sobreviventes. Portanto, as desgraças e as catástrofes não podem ser vistas como castigo divino, mas, sim, como alerta e apelo à conversão. Não há, necessariamente, relação entre pecado e desgraças que acontecem na vida da pessoa ou da sociedade.

A parábola seguinte mostra o que é conversão na ótica de Jesus. A função da figueira é produzir figos no tempo certo; a da laranjeira, laranjas; e assim por diante. O homem também tem a tarefa de produzir frutos. Nenhum ser humano deve passar em branco na vida. Portanto, conversão não é apenas uma atitude intelectiva de adesão a alguém ou a alguma ideia, mas é ação, é crescimento no amor, na generosidade, na justiça.

Muitos se vangloriam por não fazer mal a ninguém – o que já é muito bom; porém é preciso fazer algo positivo em favor de si e dos outros. Todo o mundo deve deixar o mal de lado, mas o cristão, de modo especial, é convidado a ir além, deixar sua marca positiva na comunidade e na sociedade. Ele deve produzir bons e abundantes frutos para o reino de Deus. Não pode passar a vida inteira estéril.
É verdade que Deus é tolerante e paciente (“deixa mais um ano”) – é do seu feitio dar novas oportunidades; ele é bondoso e compassivo, diz o salmista. Mas um dia pode chegar o momento de sermos cobrados. Conversão é mudança de mentalidade e de vida, o que deve ocorrer dia a dia; é processo contínuo que nos leva a assimilar os critérios de Jesus e seu estilo de vida e nos torna cada vez mais autênticos discípulos de Cristo.

Pe. Nilo Luza, ssp — O Domingo — Semanário Litúrgico — 7/3/2010

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Disponível o texto-base da CFE 2010

2 de Março de 2010

A CNBB e o CONIC disponibilizaram para download em formato PDF o texto da base da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2010.

Texto Base — CFE 2010 — PDF — 828 kb

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As tentações nossas de cada dia

20 de Fevereiro de 2010

Quem nunca foi tentado ao longo da vida? Até Jesus foi tentado; quem somos nós para não sê-lo? Entre nós e Jesus, porém, há grande diferença: ele soube vencer as tentações e não se deixou levar pelo diabo, ao passo que nós com dificuldade conseguimos vitórias sobre as provações e, com frequência, a elas sucumbimos.

As três tentações apresentadas no evangelho são apenas simbólicas, englobam as seduções que Jesus enfrentou ao longo da vida. Vejamos o que poderiam significar.

Primeira tentação: dispor dos bens para o próprio prazer. O diabo pede que Jesus mude as pedras em pão; outros desejam transformá-las em ouro… Os bens básicos da vida – alimentação, saúde, moradia, educação – devem estar disponíveis para todos e servir para a promoção humana. Isso, porém, não se dá num passe de mágica; exige empenho de toda a sociedade e desprendimento de cada um. Nossa relação com a natureza não deve se basear na ganância e na depredação, mas no respeito, para que continue suprindo as necessidades básicas da pessoa.

Segunda tentação: querer manipular o próximo. Prostrar-se diante do outro é submeter-se a ele. O espírito de dominação é muito forte dentro de nós. Nossa posição social ou nosso poder podem nos levar a nos impor sobre os outros. Quando nos curvamos diante das riquezas, tornamo-nos insensíveis aos irmãos e, quando nos submetemos aos outros, tornamo-nos escravos deles.

Terceira tentação: tornar Deus um joguete nas mãos do homem. Não podemos manipular a Deus segundo nossos caprichos, pô-lo à prova como fez o diabo. Diante das dificuldades, muitas vezes pedimos que prove sua existência com algum milagre em nosso favor. A exemplo de Jesus, não devemos exigir provas do amor de Deus para conosco. Não podemos sentir sua presença somente nos momentos favoráveis.

Fortalecidos pela palavra de Deus, a exemplo de Jesus, temos condições de vencer as falsas seduções que nos põem à prova diariamente.

Pe. Nilo Luza, ssp — O Domingo — Semanário Litúrgico — 21/02/2010

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Por uma economia mais inclusiva

18 de Fevereiro de 2010

Por: Luís Henrique Marques e Mariana Toledo

Os ideais do capitalismo de acumular capital, valorizar sempre mais o que já possui e gerar ainda mais permanecem, hoje, como valores da nossa sociedade. Ou, pelo menos, de grande parte dela. Quantas vezes você já ouviu um comentário sobre alguém considerando a pessoa pelo emprego que possui, o salário que recebe, os objetos que usa, o bairro onde mora, os lugares que frequenta? Esses ideais chegam até o seio da família: o que é de um filho não deve ser usado pelo outro; o que é da esposa, é separado do que é do marido; o irmão bem-sucedido, tão querido por todos, e o outro, desempregado, que só causa problemas. Sem que percebamos, a lógica capitalista penetrou na sociedade, criando um ambiente perverso, que mercantiliza as relações sociais.

O capitalismo é um sistema econômico complexo, forte e dinâmico, que permite a evolução e a in-corporação de outras ideias”, explica o economista Marcos Barbieri, do Núcleo de Economia Industrial e da Tecnologia da Universidade de Campinas (Unicamp). Ele cita o exemplo das famosas camisetas com a foto de Che Guevara estampada. Embora a imagem do homem barbudo e de boina olhando para o horizonte fosse um símbolo da revolução comunista, foi utilizada em um produto para a venda em larga esca-la, mercantilizando um dos símbolos da filosofia oposta ao do capitalismo e gerando lucros a muitos capitalistas.

A evolução e a incorporação de ideias para o desenvolvimento do capitalismo não são necessariamente ruins. A inovação tecnológica, por exemplo, permite a produção de bens materiais em volumes cada vez maiores, utilizando cada vez menos matérias-primas, ou reduzindo a produção de lixo. Isso diminui o custo final do produto e possibilita o acesso de um maior número de pessoas a produtos que podem facilitar a vida. Basta pensar, por exemplo, no celular. Há apenas 15 anos, o celular no Brasil era um artigo de luxo. Hoje, até quem tem uma renda familiar apertada possui um. Isso facilita a comunicação entre as pessoas, o que foi possível porque, aos poucos, o produto foi se tornando mais barato.

No entanto, do ponto de vista do capitalismo, o objetivo, ao buscar baratear o custo do aparelho de celular ou da ligação que se faz a partir dele, não é simplesmente possibilitar que todos tenham acesso a uma vida com mais qualidade e conforto. Reduzindo o preço dos produtos, uma empresa consegue incorporar um número maior de consumidores e ampliar os seus lucros. “Ao mesmo tempo em que consegue progredir e gerar muita riqueza, realizando evolução para produzir com maior nível de eficiência e volume, o capitalismo também é um sistema de exploração”, explica Barbieri.

Regras para além do mercado

Deixar tudo por conta do mercado leva ao caos, como já ocorreu. São necessárias regras. Saber o que regular e o que não regular é a chave do capitalismo”, diz Barbieri. “Essas regras vêm de fora do capitalismo, são regras da sociedade”. O professor lembra que se avaliarmos o capitalismo ao longo dos anos, é possível verificar uma evolução e como a sociedade foi, aos poucos, estabelecendo parâmetros.
Basta pensar que na época da Revolução Industrial, no século XIX inclusive as crianças trabalhavam sem um horário fixo - chegava-se a trabalhar 15 horas por dia -, sem um piso salarial. A luta sindical, ao longo do século XX, foi essencial para determinar regras de trabalho, como o salário mínimo, as fé-rias remuneradas, o padrão de horas de trabalho. Da mesma forma, regras ambientais, tributárias, sanitárias também foram, aos poucos, sendo estabelecidas.

Porém, da mesma forma que as regras evoluem, também evolui o capitalismo, e se desenvolvem novas ideias sobre como ganhar mais e mais dinheiro, como elevar os lucros e ampliar os rendimentos mensais. Basta lembrar os motivos pelos quais o mundo entrou em forte crise entre o final de 2008 e o início de 2009. Ao longo dos anos, o sistema financeiro se desenvolveu de tal forma que algumas modalidades de aplicação financeira simplesmente passaram a operar com riscos cada vez maiores, emprestando recursos a custos maiores para quem não tinha como comprovar a capacidade de pagamento e ignorando a possibilidade de inadimplência. Ganhou-se muito dinheiro, mas depois perdeu-se muito também.

Vários bancos quebraram e só não foram mais - o que poderia levar o mundo todo a um colapso generalizado - porque os Bancos Centrais de diversos países colocaram trilhões de dólares no sistema bancário.
Para o economista italiano Luigino Bruni, o grave erro do sistema financeiro foi justamente ter trans-formado os bancos em seus atores, que só se preocupam com a maximização dos lucros, colocando-os na mesma posição de empresas do setor comercial, isto é, “como se produzir sapatos ou geladeiras fosse o mesmo que emitir títulos e créditos com recursos das famílias”.
Ainda para Bruni, que é também pro-fessor de Economia da Universidade Bocconi, de Milão (Itália), “o mercado supõe riscos para qualquer empresário, mas o que deveria estar em jogo era o capital deles, não de terceiros. Os bancos, pelo con-trário, são instituições, o capital que utilizam para obter lucros é de outros e, muitas vezes, provém das economias feitas nas famílias”.

Além disso, a política bancária tende a se distanciar do cidadão comum. É o que acontece, por exem-plo, no caso de concessão de crédito. “Atualmente, uma família pode receber um crédito do banco A, que vende esse título ao banco de negócios B que, por sua vez, o transfere a um fundo C… e, finalmente, rompe-se o vínculo de responsabilidade que deve existir entre os que tomam empréstimo e aqueles que devem reembolsá-lo”, explica Luigino Bruni, para quem a expansão da cadeia entre o cidadão e a insti-tuição bancária que responde pelo empréstimo concedido se torna uma “doença”.

Economia e vida

Muito se fala do Brasil, onde a crise foi mais branda que em diversos outros países. Por quê? Porque o sistema financeiro nacional é bastante mais regulado do que o de outros países, como o dos Estados Unidos, onde tudo começou. Agora muitos países procuram estabelecer leis mais rígidas para seus sistemas financeiros. Na Europa, diversos governos já sinalizaram que devem modificar algumas leis, mas ainda falta muito para que isso se torne realidade. O bom desempenho da economia brasileira não livrou, contudo, o país das suas dívidas públicas interna e externa
.
“O Brasil tem gerado riqueza e, de alguma maneira, a distribui por meio dos programas sociais do governo, mas precisa fazer mais. São necessárias políticas públicas, novas regras tributárias, política de desenvol-vimento, regras ambientais visando diminuir os efeitos das mudanças climáticas etc. Isso exige não só o trabalho do Estado, mas o envolvimento de toda a sociedade, por meio de ONGs, Igrejas e também individualmente, por meio da participação política”, diz Marcos Barbieri.

É justamente nesse contexto de participação civil que a Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) deste ano, promovida pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), revela-se muito pertinente. Tanto quanto apontar as raízes dos problemas gerados por uma economia que, contraditoriamente, coloca o próprio ser humano em segundo plano em detrimento do lucro, a Campanha quer estimular a opinião pública a participar na construção de uma economia que promova, efetivamente, o bem comum.

Sob o tema “Economia e Vida” e o lema “Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro”, a CFE 2010 apresenta, de forma didática, subsídios e propostas importantes para que qualquer cidadão brasileiro reflita sobre o seu papel e o de sua comunidade na construção de uma economia inclusiva e sustentável, isto é, que não agrida mais o meio ambiente (confira infográfico).

Em linhas gerais, a despeito do aclamado desempenho brasileiro diante da crise mundial de 2008-2009, a Campanha chama atenção para dados que revelam a manutenção de um dos princípios econômicos mais nefastos para a população do país: a má distribuição da renda que, por sua vez, permite altos índices de in-justiça social. “O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) - expresso em médias nacionais - não é sinônimo de boa distribuição dos recursos entre os diversos grupos sociais”, afirma o texto-base da CFE 2010. Na base desse quadro estão políticas públicas que ainda zelam mais pelo lucro de grandes grupos empresari-ais e bancos nacionais e estrangeiros do que pelo acesso da maior parte da população brasileira a bens e serviços públicos essenciais a uma vida digna. Uma das grandes razões para isso é que tais políticas ainda são feitas, basicamente, a partir de alianças do Estado com esses grupos.

Participação civil

Para os especialistas é fato que as regras da economia, para além de uma decisão de poder, distante dos cidadãos comuns, devem partir da própria sociedade civil. Primeiramente pela vivência de valores e pela exigência de que esses valores sejam vividos também pelas empresas. Por exemplo: os consumido-res passariam a comprar produtos apenas de empresas que tivessem uma maior preocupação com a des-tinação de seu lixo, que não tivessem problemas com o fisco etc. Depois, pelo engajamento na obtenção de regras importantes que precisam ser definidas, seja por meio de movimentos organizados como também pela eleição de políticos que tenham os mesmos valores. Afinal, são os deputados e senadores quem definirá tais regras, em muitos casos.

O economista italiano Luigino Bruni chama a atenção para a existência de uma, por assim dizer, “cultura do endividamento”. Trata-se de uma mentalidade segundo a qual a pessoa é levada a endividar-se a partir da ideia de consumo fácil para todos. “É preciso distribuir as diferentes cotas de responsabilidade num modelo de desenvolvimento que levou as pessoas a consumirem muito além das suas possibilidades”, afirma Bruni. Segundo o economista italiano, é preciso considerar que não basta o consumo para fugir à recessão.
“O crescimento se sustenta aumentando o consumo, mas também investindo mais”, defende. De acordo com Luigi-no Bruni, nesse sentido, é preciso valorizar a dimensão coletiva e pública e investir em bens sociais. Numa palavra: investir em melhorias para a população em geral, especialmente nas cidades.

Bruni partilha do pensamento do colega brasileiro no que diz respeito à organização da sociedade civil, tendo em vista o exercício de um maior controle não só sobre o consumo, quanto sobre o próprio lucro. “Sem dúvida, precisamos de uma maior aliança com a política, uma maior presença pública. Mas acho que precisamos de mais sociedade civil organizada”, argumenta. “Precisamos de mais civilização no mer-cado, mais vozes que reclamem, mais engajamento da sociedade civil, mais política e menos consumidores isolados e empresários que só visam ao próprio lucro”, completa Luigino Bruni.

No caso dos empresários, responsáveis por definir os padrões de uma empresa, a consciência dos valores é mais importante ainda. Segundo Luigino Bruni, um dos problemas da crise atual é que o mercado foi concebido como um âmbito técnico neutro, isto é, uma zona moralmente livre. “É um erro limitar o âmbi-to civil ao âmbito dos ideais e o mercado ao âmbito dos lucros”, afirma. Por isso, o economista italiano prefere falar em economia civil, “porque é a economia da civilização”. Para ele, “a vida é uma só e, se ela for vista como algo fragmentado, teremos uma má economia e uma má civilização”.

Com efeito, a exemplo da própria Campanha da Fraternidade Ecumênica 2010, uma série de iniciati-vas vêm sendo tomadas por diferentes segmentos da sociedade civil brasileira (movimentos sociais, I-grejas, ONGs) no sentido de combater o “crescimento econômico selvagem”, defender os direitos do cidadão comum e uma economia mais justa.

No Brasil as ações da Cáritas Brasileira, da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), do Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor (CAPA), do Serviço Anglicano de Desenvolvimento (SAD), dentre outras” são entidades que atuam nesse sentido, afirma o texto-base da CFE. O documento afirma ainda: “Também a Ação da Cidadania contra a Miséria e pela Vida, as experiências de economia solidária e sua elaborações teóricas, economia indígena, as iniciativas de economia de comunhão, as Campanhas da Fraternidade e as Semanas Sociais têm contribuído para apontar caminhos de reformulação do modelo econômico”.

Destaques

A dívida externa brasileira cresceu US$ 26,5 bilhões em 2008, atingindo US$ 267 bilhões

Apesar dos gastos com juros e amortizações da dívida pública consumirem mais de 30% dos recursos orçamentários do país, essas dívidas não param de crescer

A dívida interna alcançou a gigantesca cifra de R$ 1,6 trilhão em dezembro de 2008, tendo apresentado crescimento acelerado nos últimos anos

Economia de Comunhão

Um dos caminhos de reformulação do modelo econômico

A Economia de Comunhão na Liberdade (EdC) foi iniciada por Chiara Lubich no Brasil, em 1991. Uma das suas características fundamentais está no fato de situar-se - como afirma Bento XVI na encí-clica Caritas in veritate - em uma área intermédia de empresas que não constituem apenas “um ‘tercei-ro setor’, mas […] uma ampla e nova realidade complexa, que envolve o privado e o público, e que não exclui o lucro, mas considera-o como instrumento para realizar finalidades humanas e sociais”.
De fato, o objetivo central da EdC é colaborar com a erradicação da pobreza mediante a comunhão do lucro ob-tido pelas empresas que aderem ao projeto. Contudo, a comunhão não se dá apenas na partilha do lucro, mas procura orientar também as relações no interior das empresas e nas relações das empresas com seus colaboradores (fornecedores, clientes, parceiros, consumidores) e com o ambiente. Desse modo a EdC serve-se do mercado - como afirma o economista italiano Stefano Zamagni - “para produzir riqueza de modo eficiente, mas também para redistribuí-la”.

Fonte: Revista Cidade Nova — Fevereiro de 2010.

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Dom José Antonio abre CFE em Fortaleza

18 de Fevereiro de 2010

Foi aberta esta tarde, no Centro de Pastoral da Arquidiocese de Fortaleza, a Campanha da Fraternidade 2010, que tem como lema “Vocês podem servir a Deus e ao dinheiro” e como tema “Economia e vida”, com a mesa dos trabalhos sendo presidida por dom José Antonio A. Tosi Marques, arcebispo de Fortaleza, e que contou com a presença também dos padres Luiz Sartorel, da Faculdade Católica de Fortaleza e do Centro de Estudos Bíblicos e Francisco Ivan de Souza, coordenador de Pastoral da Arquidiocese; professor Eduardo Girão, economista e professor da Universidade Federal do Ceará; Antonio Mendonça da Silva Júnior, coordenador do movimento Focolares Masculino e Ana Maria de Freitas, coordenadora da Cáritas Arquidiocesana de Fortaleza.

Depois do lançamento dom José Antonio, em entrevista coletiva explicou, porque a Campanha da Fraternidade deste ano é ecumênica, “porque a Igreja percebeu que necessário ampliar a própria Campanha, numa coisa que é necessária na sua própria essência: buscar a comunhão de todos. Os discípulos de Jesus não podem estar divididos. Então buscar a fraternidade significa que os cristãos devem procurar se unir na sua própria fé comum”. Este ano, pela terceira vez, a Campanha da Fraternidade é ecumênica.

SISTEMA ECONÔMICO ATUAL

Indagado como analisava o sistema econômico atual, porque parece que ele está colocando o lucro acima da vida e da dignidade da pessoa humana, dom José Antonio, disse que na verdade tudo o que é obra humana carrega a ambigüidade que está dentro da pessoa humana. Isso em tudo na história. Não é só a economia. Na Educação é assim. A política é assim. Todos os ramos da vida humana carregam ambigüidade humana. Quando nós cristãos, percebemos que Jesus vem nos chamar à uma conversão, uma renovação da vida humana, com a força e a graça de Deus, nós somos chamados a renovar todas as coisas. Então renovar todas as realidades humanas vem sendo ambigüidade, que nasce, já no fundo do coração humano, que está misturado de egoísmo. Então faz as suas estruturas com marcas de egoísmo também. Nós vivemos uma época em que a economia expressa esse egoísmo com a forma que ela tem. Ela expressa o egoísmo, quando se busca usando os bens da natureza. Não para a vida humana. Não para a dignidade. O crescimento de todas as pessoas, mas para o acumulo do lucro, para ter mais, ter mais e consumir sempre mais, quando outros são excluídos do necessário da mesa do dia a dia. É muito importante quando proclamamos a oração que Jesus nos ensinou, que é o Pai Nosso. Ele nos ensina a louvar a Deus e conhecer que a fonte está toda em Deus e depois quando começa os pedidos, na segunda parte, reza como? O pão nosso de cada dia nos daí hoje. Existe uma frase do livro dos Provérbios do Antigo Testamento, que diz assim “Eu não peço ao Senhor nem o luxo nem excesso, nem a miséria, que o Senhor me dê a graça de viver o pão de cada dia. Porque quando eu tenho demais, eu posso desprezar o Senhor e quando eu não tenho o necessário, posso amaldiçoá-lo, mas que eu tenha o necessário de cada dia para que eu possa reconhecer o valor do Senhor. Portanto, a humanidade pode viver muito bem com o pão de cada, sem o acumulo exagerado do que é supérfluo, ou então a falta do necessário de quem vive na miséria. É isto, no fundo, no fundo, o que a Campanha da Fraternidade quer ajudar a humanidade a pensar. Nós podemos viver só com aquilo que é necessário para nós e assim todos terão o necessário para si. Nós devemos buscar o equilíbrio e a solidariedade.

Fonte: Blog da Sagrada Família — José Maria Melo

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